Tese Hidráulica
O que é?
A tese hidráulica é uma tese defendida por alguns historiadores, que tenta explicar o surgimento do Egito e da Mesopotâmia em função de suas condições geográficas.
A mesma diz que através dos grandes rios da região do crescente fértil, é possível se desenvolver uma agricultura de largas proporções, a ponto de a vida nesses territórios depender quase que exclusivamente dela. Com essa agricultura derivada dos grandes rios, nas regiões próximas aos mesmos se agrupa e sedentariza a população, criando-se assim aglomerações humanas de onde surgem como resultado dessa aglomeração, cidades.
Com a aglomeração humana e a agricultura abundante, o crescimento demográfico é uma conseqüência natural, e desse crescimento começam a surgir obras públicas, como canais de irrigação para se ampliar a área de agricultura a territórios mais distantes dos rios, e dessas obras públicas surge o poder centralizado.
Esse poder centralizado ganha força à medida em que as obras públicas se dão através dele, e a população, necessitando dessas obras, se submete ao poder central, pagando tributos, tanto em produtos como na corvéia. Para controlar o pagamento dos tributos, o poder central possuía escribas, que eram os poucos homens a ter conhecimento da escrita e dos números, o que os torna “superiores” perante o resto da população.
Outro efeito do poder centralizado é a centralização da religião na figura do rei absoluto, que justificava seu poder através da religião, e conseqüentemente dava à população uma justificativa também do pagamento dos tributos, pois o povo estava pagando o excedente de sua produção e emprestando seu corpo a serviços não ao rei, mas sim aos deuses que esse rei representava na terra.
Com o fortalecimento do poder absoluto, cria-se um estado e com esse estado centralizado, é necessário ter um exército para se defender de invasões inimigas e tentar se expandir, o que justifica o surgimento de um exército profissional.
Como já citado acima, o poder central se sustentava no pagamento de tributos das pequenas “cidades” que se criaram, e a população se submetia a esse pagamento de tributos pois acreditava estar pagando não ao rei, mas sim ao deuses que esse rei representava, e a população cultuava. Esses tributos existiam em duas formas:
- Produto: Uma parte da produção de cada pequeno território era destinada ao governo central, como tributo ou imposto, que era destinado ao rei, ou a representação divina que ele representava.
- Corvéia: Durante os meses do ano em que não se colhia, a população servia ao rei executando serviços físicos, doando seu corpo e seu trabalho para a construção de obras públicas ou qualquer outra atividade que o rei quisesse e necessitasse de trabalho braçal.
Nessa breve explanação, temos uma idéia do que era a tese hidráulica, e a seguir, veremos de que forma ela se aplicou no Egito.
Como se aplica ao Egito?
O rio Nilo representava a vida no Egito. A seu redor, a população se aglomerou pois a agricultura era abundante nessas regiões e o crescimento demográfico se acentuou, já que com as cheias e a diminuição do Nilo, a agricultura era projetada e a população tinha sempre alimentos, o que proporcionava o crescimento demográfico.
Com essa população aumentando, as obras públicas, como estradas e canais de irrigação do Nilo, se tornam necessárias para o desenvolvimento não só da população mas também do poder central, que se dava na figura do faraó, representante terreno dos deuses. Outro fator importante para a explicação do poder central forte no Egito são os ventos que facilitam a navegação pelo Nilo e ligam o território facilmente pelo meio fluvial, o que tornava as longas distâncias mais rápidas de serem acessadas navegando do que por terra. A religião egípcia se caracteriza pelo politeísmo e pelos deuses locais, mas de nenhuma forma podemos excluir que o poder central do faraó se justificava pela crença do povo de que ele representava deuses e seu poder era dado pelos deuses, o que inclusive acaba por explicar a existência dos tributos, e mostra uma certa centralização religiosa no faraó. No Egito os tributos eram pagos por produtos, ou seja, excedente de produção obrigatório, e pela corvéia, que era o trabalhador emprestar seu corpo e sua força para a construção de estradas, canais de irrigação, pirâmides...
Autor: Lucas Haigert Oliveira
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