Área de Ensino de História – Estágios Docentes
Orientações para o planejamento do Ensino de História
Planejar é antecipar uma ação a ser realizada. Trata-se de interferir na realidade de uma maneira racional, pensada, com intencionalidade definida e a partir das necessidades e das possibilidades de agir. O ato de planejar se reveste de maior importância quando o professor está realmente interessado no resultado do que foi almejado; é, portanto, uma necessidade do educador de pensar o que vou trabalhar (conteúdo), por que (importância e relevância do conteúdo selecionado), para que desenvolvo esse trabalho (que objetivos tenho ao abordar determinado conteúdo de determinada forma), como vou trabalhar (que metodologia e que estratégias de ação), como vou avaliar (verificação, ao longo do processo) se os propósitos (objetivos) estão sendo alcançados.
Planejar uma aula de História tem relação direta com a resposta a duas perguntas: qual a minha concepção de História? Que concepção tenho de Educação? Em nossa opinião, o planejar está também diretamente relacionado com aquilo que foi observado na escola e na sala de aula, e como esses dados foram interpretados. Portanto, antes de planejar, é necessário observar. Em verdade, é necessário observar ao longo de todo o tempo, para poder introduzir modificações no planejamento. Em suma, planejar significa elaborar estratégias relevantes para situações concretas, flexíveis para serem adaptadas quando a situação mudar e realistas quanto aos recursos disponíveis.
Antes de estabelecer alguns elementos que deverão ser seguidos por todos os alunos em seus planejamentos, queremos levantar algumas recomendações:
No sentido de construir um planejamento adequado, lembre-se de pensar as aulas conectadas com aquilo que os estudantes já sabem. Parta dos esquemas de conhecimento precedentes dos estudantes, fazendo-os explicitar suas hipóteses (verdadeiras, falsas ou incompletas) ante a temática que você selecionou para estudo. Preocupe-se em fazer os alunos registrarem os conhecimentos previamente existentes, só assim eles serão capazes de perceber que modificaram sua opinião acerca de determinados aspectos.
Preocupe-se em conectar os interesses dos estudantes com a temática proposta, estabelecendo assim uma atitude favorável deles para com o conhecimento. Uma boa dinâmica é fazer, em alguma medida, um planejamento cooperativo. Na medida do possível, procure respeitar desejos individuais e coletivos de conhecimento frente ao tema, mas não adote uma atitude do tipo “populista”, dizendo que vai ensinar apenas aquilo que os alunos querem aprender. Afinal, se os alunos já tivessem toda a clareza possível do que querem e do que precisam aprender sua presença em aula não seria necessária.
Não fique querendo ganhar a simpatia dos alunos dizendo a todo instante que “não é necessário memorizar nada”. Opere com a idéia de uma memorização compreensiva. A memorização não deve ser tomada como um fim em si mesmo, mas há informações que precisam ser memorizadas. De toda forma, mais importante do que memorizar é aprender a acessar as fontes, e estabelecer relações entre diferentes informações.
Introduza momentos e estratégias de avaliação das aprendizagens, mas não esqueça que todo o processo deve ser avaliado. A avaliação abrange todos os passos do processo e todas as pessoas envolvidas no trabalho (alunos, professores, direção da escola, outros agentes convidados, etc). Lembre-se de que o erro pode ser situação de aprendizado.
As produções dos alunos, em algum momento, devem ser divulgadas. Isso pode ser feito através da criação de um jornal, de um mural, de leitura pública, de simples afixação nas paredes, de utilização dos textos em outros momentos, de troca de textos entre alunos e entre turmas, etc. Bons trabalhos e boas respostas não devem ser lidos apenas pelo professor, devem ser lidos pelos demais.
Ao planejar, pense e discuta as relações possíveis entre as disciplinas dentro da temática proposta. Convém saber que matérias os demais professores estão ensinando, o que já foi estudado pelos alunos. Não fique dizendo a todo o momento que a História é a principal disciplina, e não passe a imagem de que tudo se explica apenas pela História. Busque estratégias de parceria com outras áreas do conhecimento.
Lembre-se de levar para a sala de aula os livros que você utilizou para ler sobre o tema, e mostre aos alunos, para que eles vejam claramente que você aprendeu sobre o assunto em determinadas fontes. Quando produzir seus textos para leitura dos alunos, cite claramente suas fontes, e de preferência leve para a aula, e mostre aos alunos. Veja se algum livro sobre o tema em estudo existe na biblioteca da escola, e recomende. Procure pensar filmes e outros produtos da mídia que se relacionem com seu tema de estudo, e cite em aula.
Existem diferentes maneiras de sistematizar um planejamento. Na Disciplina de Prática de Ensino de História, operamos com um planejamento geral que deve conter os seguintes itens, apresentados em colunas, de preferência na ordem abaixo indicada:
Data e número de horas aula dedicadas ao tema;
Conteúdos (ou temas, ou assuntos);
Conceitos fundamentais do conteúdo;
Objetivos de aprendizagem do conteúdo selecionado;
Possíveis problematizações do conteúdo, tendo em vista temas atuais ou questões do cotidiano dos alunos;
Competências a serem adquiridas no estudo desse conteúdo;
Atividades previstas (ações, estratégias de ensino);
Recursos necessários para realizar as atividades previstas (recursos providenciados pelo professor, pelo aluno e pela escola);
Possibilidades de relação com outras disciplinas;
Modos de avaliação do trabalho;
Leituras do professor estagiário para dar suporte à abordagem do conteúdo (bibliografia).
Cada aluno deverá obrigatoriamente esboçar um planejamento geral para todo o período do estágio, e a partir deste esboço se desenvolverão os encontros de assessoria com o professor orientador. O planejamento de ensino não é mais um encargo burocrático, mas é um precioso instrumento que vem em auxílio do professor e do aluno, qualificando o ensino e a aprendizagem. Boas aulas não nascem do improviso, embora isso até possa acontecer. Somente “dominar o conteúdo” não é condição suficiente para uma boa aula. O planejamento não é rígido, mas caracteriza-se pela flexibilidade, tanto ao possibilitar modificar situações que não estão dando certo, quanto introduzir novos elementos (conteúdos ou métodos) sugeridos pelos alunos ou que tenha sido demonstrado, de alguma maneira, seu interesse. Para Piaget, o interesse é o motor da aprendizagem.
Texto elaborado pelos professores Susana Schwartz Zaslavsky e Fernando Seffner, em agosto de 2005, para uso em sala de aula nas disciplinas de Docência em História, a partir de texto de autoria de Susana Schwartz Zaslavsky e Fani A. Tesseler, professoras da Prática de Ensino em História da FAPA - Faculdades Porto-Alegrenses.
Material cedido pela professora Claudira
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