terça-feira, 17 de julho de 2007

Antigüidade Oriental - HICSOS

HICSOS
Maneton escreve a Aegyptiaca, em grego, na qual faz uma descrição da história passada do Egito, tornando-se, inclusive, o primeiro autor egípcio a fazer isso. Aí ele fala dos judeus. E fala mal. Ele é o primeiro escritor anti-semita de uma série de escritores egípcios helenizados.
Seus textos sobre os judeus estão preservados no Contra Apionem de Flávio Josefo. Em Contra Apionem I, 73-91 Maneton fala da invasão do Egito pelos hicsos e aí dá a sua célebre etimologia de "hicsos" como "reis-pastores", aliás, equivocada. "Hicsos" significa "chefes de povos estrangeiros". Os hicsos, pensávamos até recentemente, constituíam um conjunto de povos asiáticos, liderados por hurritas, que teriam invadido a Palestina e o Egito. No Egito eles se estabeleceram na região do delta, na capital Aváris, e governaram o Egito durante cerca de 100 anos (1670-1570 a.C.), constituindo as XV e XVI dinastias. A arqueologia defende hoje que esta "invasão" parece ter sido muito mais uma ocupação cananéia gradual e pacífica do delta do que uma operação militar.
Mas a informação de Maneton que nos interessa está no § 90: ao serem expulsos do Egito vão os hicsos para a Síria e aí
"temendo o poder dos assírios, que então eram os senhores da Ásia, eles construíram na terra, agora chamada Judéia, uma cidade grande o bastante para suportar todos aqueles milhares de pessoas, e lhe deram o nome de Jerusalém".
Maneton supõe que hicsos e hebreus sejam os mesmos, ou, pelo menos, parentes. Entretanto, o retrato dos hicsos traçado por Maneton é o de um povo cruel e bárbaro que massacra os egípcios. Esta visão parece exagerada, já que os hicsos acabam assimilados à cultura egípcia.
Aluno: Desconhecido
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